
Que é o pensar — e, mais decisivamente ainda, como ele guarda aquilo que lhe é confiado pensar? Ou, formulado de modo ainda mais radical: é possível um pensar que não consuma, não capture, não disponha, mas salvaguarde (bewahren)? A questão toca o destino do Ocidente enquanto destino do pensar, isto é, enquanto modo histórico segundo o […]
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O mundo nunca se dá de maneira neutra, homogênea ou indiferente. Não há um “mundo em si” que, posteriormente, receberia por acréscimo subjetivo uma coloração afetiva. O mundo advém já tonalizado. Ele irrompe sempre segundo uma Stimmung, uma afinação originária que não é psicológica, nem moral, nem subjetiva, mas ontológica. Antes de toda representação (Vorstellung), […]
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«Il divino non è ciò che consola, ma ciò che espone.» — Julius Evola, Rivolta contro il mondo moderno Como responder à pergunta: que são deuses? Toda resposta imediata já a trai. Pois interrogar pelos deuses não é, originariamente, determinar essências, enumerar predicados ou circunscrever entidades. A pergunta não se move no registro do τί ἐστιν categorial, […]
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Novo Romantismo.
O Novo Romantismo não é um projeto político, tampouco um programa teórico. É, antes de tudo, um projeto de ausculta — ausculta da Terra (χθών), dos deuses, do ser enquanto acontecimento (Ereignis). Em outros termos: aqui, o pensamento não se orienta pela explicação, mas pela escuta. Não falamos sobre a vida como objeto de análise. Falamos a partir dela — a partir de suas forças vitais, de sua ambiguidade, de seu excesso.
Este espaço nasce da recusa ao empobrecimento ontológico da modernidade — da redução da Terra a recurso, do corpo a objeto e, mais que tudo, do pensamento a técnica. Em seu lugar, afirmamos uma relação vital com o mundo: telúrica, trágica, imanente, poiética. Onde a vida ainda pulsa com vigor, onde a carne suporta intensidade, onde o mundo ainda ressoa como campo de forças vitais, ali o pensamento reencontra sua dignidade.



Quando então chegarem os dias felizes
De Saturno, renovados e mais viris,
Pensai nos tempos idos e revivei ao calor
Do gênio a lenda dos ancestrais!
Que o esquecido mundo dos heróis ascenda
Do reino sombrio à festa,
Em cânticos de luminosa primavera.
— F. Hölderlin, A Morte de Empédocles

ONDE CRESCE
O PERIGO
TAMBÉM SURGE
A SALVAÇÃO
— HÖLDERLIN.