Soneto do Algar


Abaixo dos escombros de misérias
Terríveis que me cercam a existência,
Inalo o agreste odor de pestilência
Exalante do sangue em mias artérias.

E me vendo mero alvo de pilhérias
Imolado aos gemidos e à dolência,
De igual jeito, festejo co’excelência
Dissolvendo-me em lágrimas etéreas.

Sorridente, me entrego ao sumo fel,
Consagro-me sofrendo, e fiz-me ufano
Em nome dos trovões que chiam no céu.

De pé, prossigo amando este meu dano,
E sofrendo, levanto meu troféu:
Portentoso sois vós, lamento humano!


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