Soneto Afrodíseo


Nos mares dos prazeres seus bem fiz
Vivenda de um deleite sempiterno,
Deitei-me nas suas pétalas de um verno
Rubente e tropical. Choro feliz.

Plantou-se fortemente sua raiz
No peito perfurando o meu esterno,
E um lábio me tocou bem quente e terno
C’o gosto das luxúrias mais gentis.

Lascivo, ‘quele olhar é-me o torpor
Mavioso de um prazer ensimesmado
Possuindo-me a cabeça como um alvor.

Deleite mais profano que sagrado,
Seu néctar de impudico e nu dulçor
Deixou-me à sua volúpia condenado.


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