Do Crepúsculo ao Renascimento Áureo


I

A coroa de Hipérion se ofuscava
No horizonte celeste que a engolia
Deixando-me a soturna melodia
Que deste coração triste soava.

E os hinos entoados, como aljava
Que guarda as torpes fontes de sangria,
Carregavam meus brados de agonia
Ao destino do astro que pairava.

Na imensidão da noite feminina,
Pude ver bela estrela dançarina
Composta pela dor das minhas lágrimas.

Sondando a encenação vinda de cima
Entreguei-lhe a mais profunda das estimas
E meu peito acendeu-se feito magma.

II

Os símbolos dos céus em desatino,
Estrelas cintilantes e a noite escura,
Contam grandes histórias de bravura
De heróis agraciados por destino.

Contam dores sopradas pelos hinos
De poetas fadados à candura
Da beleza existente na procura
Do verso mais esbelto e cristalino.

Tristezas cumuladas pelo dia
Não ocasionam surpresa que não cabe
Ao planeta anular que as presencia.

As glórias conquistadas pelo sabre
Não perturbam a paz da Lua fria
Pois a noite infinita tudo sabe.

III

O manto escuro agora se clareia,
Aos poucos se descobre o véu sombrio
Fluindo pelo céu, sidéreo rio
Que some no horizonte que incendeia.

E surge o nobre Hélio que semeia
Levemente o seu raio corredio
Inflamando a escureza do vazio
Poderoso braseiro que se ateia.

Gradualmente o universo se enrubece
Com a clareza do sol a despontar
Na cor áurea do lume que floresce.

E a noite põe-se enfim a caminhar
Deixando os sentimentos dos terrestres
Enquanto o céu se azula como o mar.


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