I
Os anéis noturnos enrolavam-se em meus dedos
e os teus olhos estelares reluziam junto aos meus.
Eu sentia tua mão pálida esquentar-se em meu rosto
em forma de palavras que ecoavam em meu espírito
(este terrível palimpsesto indecifrável).
Nas sendas dos teus fios policromáticos
caminhava o meu hálito cativo, e dançava meu olhar
na tez branca e gentil, escondida
na penumbra dos cabelos de crepúsculo.
Os caminhos que um dia se teceram
hoje se desfazem.
Nossos olhos, no entanto,
choram as mesmas dores
em diferentes lágrimas.
II
Moldurando os teus olhos oceânicos
(dotados de um verdor perenifólio
contido no cerúleo — e no sereno —),
luzia aquela tez de mil invernos,
albor do meio-dia enevoado,
rumor já ecoado das manhãs.
a derme que servia como um véu
realçava as mil magias dos teus olhos
tomando-me num transe repentino:
calor de um coração enfeitiçado.
[…]
Sobraram-me tuas cinzas sem fulgor
e a morte me espreitando pelos quartos.
III
Incomodam-me as noites frias
e os ventos que sussurram segredos
nunca ditos.
As nuvens passeiam sobre os campos,
cobrem as flores,
e as pétalas tornam-se mais belas
intocadas pela luz.
Choram, no entanto, as abelhas
sem ver onde pousar a língua
sedenta de néctar e perfumes.
Partilho de seu infeliz destino,
pois para sempre carecerei
do néctar do teu beijo
e do perfume dos teus pés.





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